Tecnologia é caminho para reduzir desmatamento e reaproveitar material plástico

Tecnologia é caminho para reduzir desmatamento e reaproveitar material plástico

É muito difícil, hoje em dia, imaginar o mundo sem o plástico. É plástico para todos os lados, em especial aqui no Brasil: sacolas de mercado, garrafas de bebidas diversas, potes, copos, utensílios em geral, até nos filmes para fraldas descartáveis. São óbvias as vantagens, mas a questão do grande risco que esse material traz ganha cada vez mais destaque. Uma possível solução para o problema é a reciclagem.

Foi com a consciência desse obstáculo que surgiu a Policog, a madeira plástica da Cogumelo. A empresa foi pioneira em trazer a tecnologia para o Brasil há cerca de dez anos. O foco atualmente são bancos de jardim. Para um banco, são reciclados 500 frascos — tipo xampu ou garrafas de álcool. Outro ponto talvez ainda mais importante é a possibilidade de atender a alta demanda de madeira no mercado, reduzindo a necessidade de derrubada de árvores.

A madeira plástica substitui a madeira convencional em ambientes externos. O produto apresenta excelente performance e ótimo custo-benefício, com a vantagem de ser mais resistente a intempéries e ter menor custo de manutenção. Além disso, os bancos fabricados pela Cogumelo são exclusivos. Levam pequenas marcas para torná-los únicos. Os variados tipos de embalagens plásticas, de polietileno de alta densidade, como frascos usados em material de limpeza, galões, engradados de bebidas, são selecionados, moídos e transformados em matéria prima. Aquecida a 180°C, a matéria prima começa a ser transformada em madeira plástica por um processo chamado extrusão. Os pés dos bancos são injetados em baixa pressão. Geraldo Pilz fundou a Cogumelo em 1972. O nome veio do sobrenome de Geraldo: Pilz significa cogumelo em alemão. Inicialmente a indústria fabricava capotas para tratores, para proteger os operadores das máquinas do sol e da chuva. Tudo ia bem até que as montadoras de tratores resolveram fabricar as próprias capotas, o que reduziu a quase zero os compradores da Cogumelo. A empresa fez de tudo para não fechar, diversificaram produtos, passaram a fabricar grades de piso em fibra de vidro e fornecer para o setor químico e petroquímico. “Criamos outra linha de produtos e a Cogumelo levantou voo. Fizemos acordos internacionais, o que enquadrou a empresa no cenário mundial. Começamos a fornecer produtos em fibra de vidro para a Petrobras, material não tão conhecido na época, e evoluímos junto com a Petrobras. Em visita a uma feira nos Estados Unidos descobrimos a madeira plástica e foi amor à primeira vista”, explica Geraldo.

” Reduzir, Reaproveitar e Reciclar são nossos princípios para tornar nosso banco mais inteligente e mais barato”‘

Banco na Legoland, na Flórida, feito com 800 garrafas plásticas de leite.
Processo de produção das réguas de madeira plástica.

Entre as muitas vantagens do banco de madeira plástica está o fato de não rachar e não soltar farpas; resistir ao sol e à chuva; ser imune a pragas; não apodrecer; não mofar nem criar fungos por não absorver umidade; ser fácil de limpar, podendo ficar novinho com apenas água e sabão; ser reciclável; de fácil montagem e facilmente fixado no chão; oferecer a possibilidade de ser furado, serrado e aparafusado, como madeira. A garantia do produto é de cinco anos, no entanto, a Cogumelo tem bancos instalados em perfeitas condições desde 2007.
O desmatamento é um problema mundial grave. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), em todo o mundo somam-se pouco mais de quatro bilhões de hectares de área florestal, ou 31% da superfície terrestre total, dos quais é estimado que 130 milhões de hectares de florestas foram perdidos entre 2000 e 2010. Além de colaborar para a redução desse número, evitando a derrubada de árvores, a madeira plástica também oferece um uso para o material plástico descartável. O plástico é um artefato fabricado a partir de polímeros sintéticos, em geral derivados do petróleo. Entre os polímeros, existem os termoplásticos, que poder ser reciclados, e os termofixos, não recicláveis. De qualquer forma, todas essas substâncias dificultam a decomposição de materiais biologicamente degradáveis e impermeabilizam o solo, quando depositados em lixões e aterros. Para piorar, quando queimados indevidamente e sem controle, ainda liberam substâncias nocivas ao ser humano e ao meio ambiente, como ácido clorídrico e dioxinas. Além de evitar esses problemas, a reciclagem de plástico traz outros benefícios, como o aumento de vida útil dos aterros, geração de empregos e renda, e economia de energia.

“Já entendia que a fibra de vidro era um produto poluente, e isso me incomodava. Fizemos um acordo de tecnologia, trouxemos a madeira plástica para a Cogumelo e fomos pioneiros nessa atividade no Brasil”, conta Pilz. Os bancos da Policog, da Cogumelo, são produzidos para estoque e comercialização em três modelos que receberam os nomes de Paraty, Búzios e Angra, mas é possível a confecção de bancos de até doze assentos. O produto é enviado desmontado, furado e com kit de montagem. As réguas maciças impedem a criação de ninhos de insetos. Os bancos podem ter até seis metros de comprimento sem emendas. “Reduzir, Reaproveitar e Reciclar são nossos princípios para tornar nosso banco mais inteligente e mais barato. Substituímos também as embalagens de caixa de papelão para reduzir o desperdício. Embalamos nossos bancos com “panos de chão”, para serem reaproveitados. Porcas, arruelas, parafusos e chave são embaladas em garrafinhas reutilizadas. As fitas plásticas de amarração são feitas com materiais 100% reciclados. Os adesivos e plaquetas de identificação foram substituídos por um carimbo prensado”, conclui.

Fonte: Reportagem Casa & Campo.

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